Mundo
Guerra no Médio Oriente
Teerão rejeita acordos que não "beneficiem" Irão. "Melhor que se portem bem", adverte Trump
O principal negociador do Irão, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou esta quarta-feira que, se o Irão não beneficiar do Memorando de Entendimento com os EUA, "não temos razão para aderir a tal entendimento".
A segurança nacional do Irão depende da manutenção dos "acordos iranianos" no Estreito de Ormuz, acrescentou Qalibaf num comunicado publicado no Telegram, sublinhando a questão que ultrapassou em importância negocial o programa nuclear iraniano. .
Questionado depois pelos jornalistas, na quarta-feira, se o Irão tinha um prazo antes de os EUA começarem a atacar as pontes iranianas, o presidente dos EUA, Donald Trump, não se comprometeu.
"Não gosto de impor prazos, mas eles praticamente sabem, conhecem a história... é melhor que se portem bem", respondeu.
Trump tinha ameaçado horas antes, numa entrevista à Fox News, atacar as pontes e centrais elétricas do Irão na próxima semana, se Teerão não retomar as negociações.
Há quatro noites que os EUA atacam alvos iranianos, com as forças militares iranianas a ripostar contra alvos norte-americanos no Golfo. Em causa, o controlo do Estreito de Ormuz. Trump revogou terça-feira a ameaça de impor uma taxa de 20 por cento sobre toda a carga que passa por Ormuz, mas retomou o bloqueio aos portos iranianos.
"Na próxima semana, a situação vai ser muito má para eles", garantiu Trump à Fox. "Vamos destruir todas as suas centrais elétricas. Vamos destruir todas as suas pontes, a não ser que se sentem à mesa das negociações".
"Na próxima semana, a situação vai ser muito má para eles", garantiu Trump à Fox. "Vamos destruir todas as suas centrais elétricas. Vamos destruir todas as suas pontes, a não ser que se sentem à mesa das negociações".
Mohammad Baqer Qalibaf, que é também presidente do Parlamento do Irão, reagiu, dizendo que a abordagem do Irão, em relação à guerra com os EUA e às negociações para a terminar, deve basear-se nos interesses nacionais, na segurança nacional e numa perspectiva de longo prazo, acrescentando que Teerão não tem outra escolha senão confiar na sua própria força.
"Escolher entre a negociação ou a guerra como única solução é um erro estratégico", acrescentou o negociador iraniano, numa crítica à estratégia de Trump. "A negociação nesta fase não equivale a um compromisso, mas, juntamente com a guerra, faz parte da estratégia de resistência e protecção dos interesses nacionais", considerou ainda.
"As nossas Forças Armadas têm total liberdade de ação, como sempre, para confrontar a agressão do inimigo", lembrou. "Estamos numa guerra essencial e existencial contra os Estados Unidos, cujo objectivo, para além de derrubar o sistema do Irão, é fragmentar a nossa amada pátria, o Irão", acusou ainda o principal negociador iraniano.
"Nunca acolhemos a guerra e não a acolhemos, mas devemos estar sempre prontos a lutar e a resistir até ao fim para salvaguardar a nossa segurança e os nossos interesses nacionais" defendeu.
c/agências